Comic-Con San Diego, Séries de TV e Cinema A cobertura da Comic-Con feita por um brasileiro para brasileiros e muito mais!
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    October 13th, 2011Edu TeixeiraSéries

    Como não esperar muito de uma série com dinossauros produzida por Steven Spielberg? Não tem como e esse talvez seja o maior problema de “Terra Nova”, o novo drama da Fox – que teve o piloto mais caro da história da televisão – nasceu cercado de expectativas muito altas. Talvez altas demais.

    Assisti a primeira parte do piloto na Comic-Con 2011 e talvez pelo clima do local, vi mais qualidades que defeitos. As cenas do futuro apocalíptico foram minhas preferidas. Assisti o piloto completo assim que foi exibido nos EUA e já sem a influente reação de mais de 4000 fãs presentes no ballroom 20 do Centro de Convenções de San Diego em Julho, fiquei decepcionado.

    Como sou trekker de longa data, não só estou habituado com explicações técnicas (conhecidas como tecno-baboseiras ou technobabbles) como espero por elas. Queria muito ter a ilusão de ter entendido melhor a viagem no tempo.  Como a fratura do tempo surgiu? Como assim outra linha do tempo? Dá para explicar melhor? Qualquer esperança de saber essas respostas agonizou depois que a família Shannon entrou no portal e voltou 85 milhões de anos no tempo.

    O primeiro sinal de que a nau seguia um curso duvidoso foi a saída do roteirista e produtor David Fury (“Lost”).  Fury é uma daquelas pessoas que, embora não sejam muito famosas, dão credibilidade às produções. A alegria e esperança que os fãs mais informados de “Fringe”, eu inclusive, sentiram ao saber que ele entraria para a 4ª temporada da série é inversamente proporcional  ao que foi sentido por quem, assim como eu, esperava avidamente por “Terra Nova”.

    Os efeitos especiais são sensacionais e justificam cada um dos muitos dólares gastos, mas a saída de Fury deixou um vácuo na equipe de roteiristas. O roteiro da segunda parte do piloto foi creditado a ele e a Brannon Braga, mas Fury deixou claro via Twitter que saiu da produção bem antes da filmagem do piloto e que não reconhecia aquele roteiro como seu. Braga, sobre quem já escrevi um longo texto, é um notório coveiro de séries. É muito difícil acreditar em alguma produção com ele no comando.

    Dito isso, “Terra Nova” não é uma bomba completa, mas também não é nenhuma maravilha e os roteiros até agora são os culpados por isso. Romance adolescente demais para dinossauros de menos. O último episódio exibido, “What Remains” , foi particularmente fraco. O roteiro é a enésima reciclagem de um episódio clássico de Jornada nas Estrelas (“The Naked Time”). Já perdi as contas de quantas séries de ficção, incluindo as demais Jornadas, já beberam dessa fonte com melhores resultados.

    A audiência da estreia foi bem aquém do que era esperado. 9.22 milhões de espectadores assistiram o piloto, sendo 3.965 milhões na demo, ou faixa etária que mais importa (18-49). No 2º episódio, a série se manteve firme em termos de demo, mas viu o total de público cair para 8.73 milhões. Na semana seguinte, a primeira queda acentuada: -20% no total e -16% no demo. Dados muito preocupantes.

    Ter a marca Spielberg vai ajudar o show a ter todas as chances do mundo de evoluir. Os efeitos especiais e toda a parte técnica estão nos seus devidos lugares. Agora é se concentrar em preencher os espaços restantes com histórias melhores. Gostaria muito que conseguissem.

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