Comic-Con San Diego, Séries de TV e Cinema A cobertura da Comic-Con feita por um brasileiro para brasileiros e muito mais!
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    August 15th, 2011Edu TeixeiraSéries

    Já li muitos gibis na vida. Se você não sabe o que é gibi, não se preocupe. Muito provavelmente sou mais velho que você e de vez em quando um termo que caiu em desuso me vem à cabeça. Revista em quadrinho com certeza você conhece. Então, os mutantes das revistas X-Men eram juntamente com Batman meus super-heróis favoritos. Gostei dos três filmes originais da franquia,  não odiei Wolverine e gostei demais de X-Men: First Class.

    A ciência por trás dos heróis criados por Stan Lee e Jack Kirby sempre me fascinou. Será tão absurdo que uma mutação genética, um dia realmente dê habilidades especiais ao homo sapiens? Mutações genéticas existem. Invariavelmente estão ligadas à doenças, mas e se em algum momento, um pedacinho do DNA de um embrião em gestação sofresse uma mutação “do bem”? Pois é. Se pararmos para pensar e ler sobre o assunto, nossa imaginação pode ir longe. Muito longe. As de Lee e Kirby foram.

    Fui um dos muitos que adorou o piloto de “Heroes”. Li e ouvi várias críticas. Imitação barata de X-Men era a mais comum. Dei de ombros e continuei a ver a série. Meu interesse por mutantes falava mais alto. O encanto durou pouco. Antes do fim da primeira temporada eu ja percebi que os caras no comando da série nunca leram X-Men. Nunca viram Star Trek. Desconheciam por completo o conceito de Bíblia no desenvolvimento de séries.

    Sem entrar nas viagens no tempo e seus paradoxos e na incapacidade dos roteiristas de realmente matar personagens, tirando-os definitivamente da série, vou concentrar minha critica somente em um ponto: Sylar. Os caras inventaram um vilão indestrutível. No season finale, já dotado de poderes absurdos, ele acaba “morto” por um golpe de espada. Sério. Tudo bem, ele não morreu mesmo (é logico), mas alguém tão poderoso como Sylar jamais se deixaria perfurar por uma espada samurai. Dai em diante foi ladeira abaixo e “Heroes” acabou deixando um gosto péssimo na boca de quem insistiu em ver todos os episódios.

    Perdoem-me a longa introdução, mas é que pode ter finalmente chegado a hora da redenção dos mutantes na TV. Estreou “Alpas” (SyFy) e pelo que vi em  cinco episódios , a série merece ser assistida. A alegria só não é completa por conta da rede. Nos últimos anos, o SyFy vem dando mais caneladas do que o André Lima , atacante do Grêmio. Cancelou “Caprica” e, principalmente, a ótima “Stargate Universe”. Fico com certo medo de investir meu precioso tempo em uma serie do SyFy, mas o que vi de “Alphas” até agora me dá coragem para dar uma nova chance ao canal.

    Sem eu te dar qualquer outra informação, somente o fato de David Strathairn encabeçar o elenco já seria motivo suficiente para você a dar não uma, nem duas, mais varias chances a “Alphas“. O cara é bom demais. Com filmes como Boa Noite e Boa Sorte e O Ultimato Bourne no currículo, Strathairn dá uma credibilidade ímpar a qualquer projeto tenha seu nome associado.

    A premissa não difere muito de outras historias de mutações genéticas que geram superpoderes. O Dr. Lee Rosen (David Strathairn) identifica uma anomalia cerebral congênita que confere habilidades especificas a certos indivíduos. Ele chama esse grupo de pessoas de Alphas. Outro lugar comum é que nem todos usam esses poderes para o bem.

    A grande sacada que diferencia os Alphas dos mutantes da Marvel, de “Heroes” e de tantas outras é que cada um dos Alphas parece “pagar um preço” pelo uso das habilidades. Bill Harken (Malik Yoba), um agente do FBI que está sendo investigado pela corregedoria, consegue ter força descomunal por algum tempo, mas fica exausto logo após usá-la. Praticamente indefeso. Rachel Pirzad (Azita Ghanizada) tem o poder de ampliar absurdamente qualquer um dos cinco sentidos, mas os outros quatro são reduzidos ao mesmo tempo. Se ela passa a ouvir melhor, praticamente perde a visão por exemplo. Esse lado B (outra expressão que cai em desuso) dos poderes fica mais claro nos primeiros episódios. Nos últimos que vi, o roteiro passou ao largo desse importante detalhe e isso me deixou preocupado. A ideia é boa demais para ser esquecida assim tão facilmente.

    Em tempo: Enquanto eu escrevia esse texto, recebi mais uma punhalada do SyFy nas costas. Dessa vez o golpe foi desferido com requintes de crueldade. O SyFail, apelido que o canal ganhou nas redes sociais, cancelou “Eureka” uma semana depois de confirmar a renovação da serie para a 6ª temporada que teria seis episódios. E isso duas semanas depois de patrocinar um painel divertidíssimo na Comic-Con 2011 e investir uma boa grana para travestir um bar nas redondezas do Centro de Convenções de San Diego de Café Diem, o bar mais frequentado na cidade fictícia recheada de gênios. A despeito de tudo isso, acredito que “Alphas” merece ser vista.

    Em tempo 2: Acabo de ler uma matéria na qual o SyFy nega veementemente ter cancelado “Alphas”, que vem conseguindo uma média de 2 milhões de espectadores. Como diriam no mundo do futebol, “Alphas” está prestigiada. Perigo Will Robinson, Perigo!

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    January 1st, 2011Edu TeixeiraSéries

    Todo ano é a mesma coisa e mesmo assim sofremos. Pensando de forma lógica,  é necessário que  algumas séries terminem ou sejam canceladas para que novas surjam. Melhores, esperamos. O problema é que alguns cancelamentos machucam demais. No meu caso, e acredito para muitos de vocês também, vem uma sensação de tempo perdido muito grande. Investi horas e horas em uma série e sequer conhecerei o final da trama. Infelizmente, é muito comum que séries sejam canceladas mesmo após um cliffhanger sensacional. E nunca mais ficamos sabendo o que aconteceu depois.

    Em 2010, me despedi de algumas séries queridas de formas bem distintas. “Lost” se foi e deixou saudades, muitas saudades, mas deixou também uma sensação de dever cumprido. Sei que muita gente não gostou do final, mas eu gostei muito. Acho absurda a ideia de que era necessário explicar todos os mistérios da série. Pensem na vida. Temos respostas para tudo? Então como podemos querer saber tudo sobre tudo e todos naquela ilha fantástica? “Lost” valeu pela viagem.

    Já o cancelamento de “Rubicon” me deixou triste demais. A série era provavelmente a mais realista série na TV. E não me venham falar dos abomináveis reality shows. Quero que morram todos. Quando vi o piloto de “Rubicon” soube de imediato que era uma série de qualidade, porém muito difícil de gostar de cara. Como diz uma expressão em inglês, ela cresce em você (grow on you). Cresce de forma contínua e quando percebemos, ela já é uma das nossas favoritas. Quando digo que a série era realista, me refiro ao fato de que a trama era 100% verossímil. Uma agência governamental de inteligência, sem grandes aparatos tecnológicos, mas com pessoas muito, muito inteligentes sentadas em volta de uma mesa pensando, analisando cenários, discutindo teorias, tendo na grande maioria das vezes apenas fotos, vídeos e gravações de grampos. E no fim das contas, dentro da própria agência, um traidor usa seus conhecimentos para obter enormes ganhos financeiros ao custo da perda de muitas vidas inocentes. Pode acontecer a qualquer momento. Não pode?

    Inteligência acima de aparatos tecnológicos

    O cancelamento de “Rubicon”, ou melhor, dizendo, a sua não renovação para uma segunda temporada foi especialmente decepcionante, não porque a série terminou sem final. Embora não completamente fechado, deu até para entender o fim de temporada, como o fim da série. O que mais me decepcionou na história foi a falta de paciência da AMC com a série. Logo um canal a cabo, que teoricamente, deveria ter mais lateralidade. Sua audiência era muito inferior ao grande hit do canal, a super premiada “Mad Men”, e também não chegava perto da muito elogiada “Breaking Bad”. Já o sucesso estrondoso (para os padrões a cabo) de “The Walkind Dead” ajudou a evidenciar que mais gente deveria estar assistindo “Rubicon”. Sei perfeitamente que televisão é um negócio como outro qualquer, mas com três de suas quatro séries originais, tendo tanto sucesso de público e crítica, não seria razoável ter um showzinho funcionando no vermelho? Em respeito ao seu fiel público e a qualidade inegável do programa. Em marketing, esses produtos de qualidade, mas nem sempre lucrativos são chamados de “animais de estimação”.

    Há duas semanas, sofri outro duro golpe. Comecei a ver “Stargate: Universe” com algum atraso. A série já estava no break da segunda temporada, quando assisti ao piloto. Assisti aos vinte episódios da temporada de estreia em menos de um mês e fiquei fã da série mais sombria e densa da franquia Stargate. Quando começava a assistir a primeira metade da segunda temporada, veio a facada. A série não seria renovada. Como consolo, o final da segunda temporada será exibido em 2011. E isso lá é consolo? Os episódios já estão filmados e prontos, logo, não foram pensados como um fim de série. Os produtores seguem explorando outras formas de tentar trazer a série de volta dos mortos, mas fora um improvável cross-over com “The Walking Dead”, é realmente muito difícil que tenham sucesso.

    Eu tenho outros motivos para assistir SGU, mas...

    O que me deixa mais desapontado é que a série é exibida por um canal de nicho, o SyFy, e canais de nicho precisam ter plena consciência do que realmente são. Aparentemente, o SyFy não tem essa ideia bem sedimentada. O CW, por exemplo, tem. Mesmo concorrendo com as grandes redes de TV aberta, o canal sabe que tem um público próprio e fiel. Sabe que uma audiência de dois milhões – uma catástrofe para as redes gigantes – é um bom número para o nicho que o canal ocupa. E a vida segue e séries como “Supernatural”, “Smallville” e outras acumulam temporadas de sucesso para a emissora. Tirando isso, a morte de SGU começou a se desenhar com duas decisões da própria emissora: tirar a série do verão, levando-a para o concorrido outono, e mudar o dia de exibição, trocando as tranquilas sextas-feiras pela concorridas terças. SGU foi forçada a competir com “Glee” (FOX) e NCIS: Los Angeles (CBS) e nem preciso dizer que levou mais porrada que saco de areia em academia de boxe. Um forte indicativo de que as mudanças foram cruciais para a queda de audiência, é o resultado da medição posterior ao dia de exibição. Quando computada a audiência de quem grava a série ou a baixa legalmente para ver depois, o total sobe em nada menos que 78%. Ou seja, a audiência quase dobra. Os telespectadores estão lá, são fiéis e safos, tecnologicamente falando. Logo, assistem outras séries ao vivo e guardam SGU para depois. Nada mais natural.

    Os cancelamentos de “Caprica” (anunciado anteriormente) e “SGU” pelo SyFy deixaram claro que 2010 não foi o ano do canal. As duas séries tinham seguidores suficientes para justificar suas renovações, dado o nicho que o canal ocupa. Faltou inteligência e paciência. Ambas as decisões foram murros no queixo do gênero ficção científica como um todo, desferidos por quem se menos esperava, e olha que SyFy terá algumas estreias bastante interessantes em 2011, com destaque para “Being Human”, “Alphas” e “Battlestar Galactica: Blood & Chrome”, assim como “Caprica”, um prequel de “Battlestar Galactica”.

    As questões que ficam são: como continuar confiando no SyFy depois dessas decisões recentes? Vale a pena investir nosso precioso tempo nas séries do canal? Se as decisões desse ano forem levadas em conta, 2011 também não será um bom ano para o canal que um dia já foi o refúgio seguro para os fãs de ficção científica.

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    December 24th, 2010Edu TeixeiraSéries

    O elenco de SGU

    Os produtores de “Stargate Universe” ainda têm esperanças de concluir – de um jeito ou de outro – a estória que começaram a contar. Brad Wright, um dos criadores da série, veio a público pela primeira vez para comentar sobre o cancelamento anunciado pelo SyFy na semana passada.

    “Nós ainda não desistimos de terminar a estória que começamos”, disse Wright. Ele completou dizendo que ele e os executivos da MGM – o studio dono dos direitos da franquia Stargate – estão tentando encontrar uma forma de continuar a série.

    Wright soube do cancelamento de SGU durante uma viagem com vários membros do elenco. A despeito da péssima notícia, ele disse que ficou, de certa forma, consolado por saber que muitas pessoas ficaram chateadas com a decisão do canal SyFy: “é emocionante ver muitas pessoas tristes com a notícia, mas é importante lembrar que o que eles pagavam pela licença de exibição é apenas uma pequena parte do nosso orçamento total”

    Brad Wright

    SGU também é licenciada internacionalmente, distribuída online e ainda conta com vendas em DVD. A MGM anunciou essa semana que o processo de reestruturação financeira – devido a um pedido de falência – finalmente chegou ao fim, e que conseguiu uma linha de crédito de 500 milhões de dólares para iniciar produções de filmes e séries. Parte desses recursos pode ser direcionado para manter a franquia Stargate viva.

    O produtor executivo Joseph Mellozzi também comentou em seu blog sobre o futuro de “Stargate Universe”: “obviamente as perspectivas não são das melhores. A decisão do SyFy dificulta muito a produção de uma terceira temporada no próximo ano. Mas será mesmo o fim? Sendo muito honesto, eu não sei.”

    Comecei a ver SGU há bem pouco tempo. Tinha baixado todos os episódios, mas estava sem tempo. Com o fim da temporada de algumas séries de TV a cabo e outras entrando aos poucos em hiato de fim de ano, resolvi começar a ver e gostei muito. SGU é, de longe, a mais sombria e densa das séries Stargate e a atuação de Robert Carlyle (007 – O Mundo Não É o Bastante) é simplesmente fenomenal. Digna de premiação, caso não houvesse tanto preconceito contra séries de ficção científica. A notícia do cancelamento da série veio no momento que eu decidi definitivamente que gostava dela. Pouca sorte não é mesmo? Fico na torcida para que a estória realmente seja concluída de alguma forma, nem que seja em filmes lançados diretamente em DVD.

    Robert Carlyle

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    July 13th, 2010Edu TeixeiraColetiva de Imprensa, Comic-Con

    A planiha (Programacao Comic-Con 2010 – Cine Series) que agora publico é apenas uma tentativa extremamente otimista de agenda para a cobertura da Comic-Con 2010. Conseguir cumprir 50% dela seria uma vitória e tanto. Serve, porém para dar uma idéia da grandeza do evento. Para a agenda completa, incluindo todos os eventos pelos quais eu sequer me interessei, clique aqui.

    Lembrem-se que os horários informados são da costa oeste americana, ou seja é – 4 horas em relação ao horário de Brasília.

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