Comic-Con San Diego, Séries de TV e Cinema A cobertura da Comic-Con feita por um brasileiro para brasileiros e muito mais!
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    May 14th, 2011Edu TeixeiraSéries

    Essa bomba sobreviveu

    Parecia uma briga de foice em um quarto escuro. Ontem as grandes redes americanas de TV aberta abriram a caixa de ferramentas e o resultado foi um verdadeiro banho de sangue no horário nobre. Mas a sexta-feira 13 não foi só de más notícias. Algumas séries foram renovadas, inclusive – a aparentemente imortal – “Chuck”. Além disso, NBC, CBS, ABC, FOX e, até a CW, começaram a anunciar os projetos escolhidos para virarem séries na próxima temporada.

    Abaixo, farei um balanço dos acontecimentos, dando minhas opiniões sobre as decisões.

    Como bem disse minha amiga Marina Musa do Cine Séries, “a ABC ligou o fo%$-se” e cancelou “Better With You”, “Brothers & Sisters”, “Detroit 1-8-7”, “Mr. Sunshine”, “No Ordinary Family”, “Off The Map” e “V”, renovando “Body of Proof”, “Desperate Housewives” e “Happy Endings”.

    A grande maioria faz sentido, principalmente por conta do esgotamento de “Brothers & Sisters”, da falta de pegada de “V” e de qualidade das demais, mas duas decisões da ABC me deixaram triste. A renovação da péssima “Body of Proof” e o cancelamento da melhor sitcom lançada nessa temporada, “Better With You”. Não discordo delas, pois acredito que, na maioria das vezes, as redes tomam essas decisões de negócio embasadas pelas estatísticas de audiência e cálculos de custo/benefício. Está dando lucro, fica, não está, roda. É duro, mas é isso.

    A CBS foi a única das grandes redes que não anunciou nada além da aprovação de alguns projetos. Falo deles mais tarde.

    A FOX começou a carnificina no meio da semana. Cancelou “Breaking In”, “The Chicago Code”, “Human Target”, “Lie to Me” e “Traffic Lights”. Dessas, apenas “The Chicago Code” merece considerações. Particularmente gostava muito dela.  Além de um ótimo elenco, Shawn Ryan escreve bem demais. Fica a sensação que se fosse exibida na CBS, por exemplo, seu destino poderia ser bem diferente. No cômputo geral, A FOX merece crédito por ter renovado “Fringe”. Essa sim, uma decisão muito mais baseada em qualidade do que em lucro.

    Zachary Levy e o colírio Yvonne Strahovski

    A NBC, a lanterninha em termos de audiência, precisa de mudanças e elas virão. Animada pela boa estreia do reality show (eu odeio) “The Voice” no fim da temporada, a outrora líder quer virar o jogo. Passou a régua em “The Event”, “Law & Order: Los Angeles”, “Outsourced” e “Perfect Couples”, e renovou “Parenthood”, “Harry’s Law”, e surpreendentemente, “Chuck”.

    Não me entenda mal. Eu adoro o espião atrapalhado que conquistou a loira dos sonhos (dele e de qualquer homem heterossexual do planeta). O problema é que a audiência da série vem mal das pernas no fim da temporada, batendo recordes negativos na faixa etária dos 18 aos 49 anos. O voto de confiança da emissora ao encomendar 13 episódios para a próxima temporada pode ser encardo de duas formas. Ou eles querem dar uma chance para a série de ganhar tração, conseguindo depois os outros 9 para completar a temporada, ou essa será a leva final e os produtores e roteiristas precisam pensar em um plano de despedida. Pessoalmente, torcerei para “Chuck” enganar a morte mais uma vez.

    Eu gostava de “Outsourced”. Ela nos deus um dos melhores personagens da temporada, o Gerente Assistente Rajiv (Rizwan Manji), mas entendo que não tenha caído no gosto da maioria. “Harry’s Law” começou bem, mas perdeu gás e sua renovação me surpreendeu um pouco. Já “The Event” não entendeu a lição ensinada por “Flash Forward” na temporada passada: depois de “Lost”, séries de sci-fi disfarçadas de drama precisam ter algo mais, dar algo melhor ao público. Se ficar enrolando muito, a galera troca de canal. Os produtores ainda procuram uma alternativa para manter a série viva. O NetFlix, gigante de aluguel online e por streaming de filmes, anunciou que pretente passar a fornecer conteúdo original e pode ser o destino de “The Event“. Só não prendam a respiração esperando por isso.

    Detalhes sobre os projetos que foram aprovados e descartados em um próximo texto, ainda nesse fim de semana.

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    January 26th, 2011Edu TeixeiraSéries

    Linda Carter será a enterna Mulher-Maravilha

    Tem certas ideias que nascem tão fundamentalmente erradas que é impossível entender como algumas delas seguem em frente. Deveriam ser metralhadas na hora. Fico imaginando uma reunião do staff do produtor e roteirista David E. Kelley, ele mesmo, aquele sobre o qual escrevi há poucos dias. O mestre das séries jurídicas, que acaba de lançar com relativo sucesso a boa “Harry´s Law”. Alguém levanta a mão e diz na maior cara de pau: “que tal fazermos um remake de Mulher-Maravilha?”. Em 99,9999% das vezes, todos ao redor da mesa morreriam de rir e a reunião seguiria como se o pobre coitado nada tivesse falado. Por algum motivo que nunca será esclarecido, em uma reunião específica, ninguém riu,  sequer uma pessoa de bom senso abriu a boca para protestar e a ideia prosperou. E o que é pior, outra reunião semelhante ocorreu na emissora que comprou o projeto (NBC) e o mesmo recebeu o sinal (ou semáforo, ou farol) verde para a produção do piloto. Dois raios caíram no mesmo lugar. Aliás, três raios, já que a NBC acaba de lançar a horrorosa “The Cape”. É impressão minha ou a emissora, que já nos deu “Friends”, “Sienfeld” e outros clássicos, agora quer concorrer com o CW?

    Não me entendam mal. Sou fã de super-heróis, do Batman e X-Men em particular, e li e ainda tenho muitos quadrinhos. Gosto de várias adaptações feitas para o cinema e tenho até calafrios de pensar em algumas feitas para a televisão. “The Flash”, por exemplo. O que é impossível de entrar na minha cabeça é a justificativa para fazer uma série de um personagem tão pouco popular, que já teve sua chance nos anos 70. A evolução tecnológica poderia ser uma explicação, se não fosse o fato de que efeitos especiais de boa qualidade custarem muito caro.

    A equação que me vem à cabeça fica assim: série cara + pouco apelo ao público entre 18 e 49 anos de idade = fracasso retumbante.

    Nos últimos dias surgiram notícias de que McG seria o diretor do piloto. Se o trabalho dele na franquia As Panteras (outra série que terá nova versão para a TV) não é uma unanimidade, gostei muito do resultado do piloto de “Chuck”. Trata-se de mais um nome de peso que, aparentemente, está ligado ao malfadado projeto. Posso estar errado? Lógico que sim. Até torço para estar. E você? O que acha?

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    January 22nd, 2011Edu TeixeiraSéries

    Na indústria de cinema e televisão americana, não é novidade que pessoas assumam suas posições políticas. Charlton Heston, o inesquecível Ben-Hur e Moisés do cinema, é um republicano ferrenho e David E. Kelley, roteirista e produtor prolífico, um democrata apaixonado.

    Dentre séries com outros temas, a cara metade mais feia e menos charmosa de Michelle Pfeiffer se especializou em criar e escrever séries sobre advogados e o mundo judicial norte-americano. “Ally McBeal”, “The Practice” (O Desafio) e “Boston Legal” (Justiça Sem Limites) são os exemplos mais recentes e de maior sucesso. Em todas, ele escreveu roteiros que defendiam veementemente posições liberais,  sempre com argumentos inteligentes e bem estruturados. Você podia até discordar deles, mas era inegável que faziam sentido.

    Os casos levados aos tribunais nas séries podiam ser esdrúxulos, mas a defesa de sua posição sempre foi completamente racional. E ele colocou os mais variados assuntos em pauta: aborto, criogenia, porte de armas, sistema tributário, sistema de saúde, direitos civis, guerras, terrorismo, corrupção, lobismo, tabagismo, privatização penitenciária, aquecimento global, ecologia, e por aí vai.

    David E. Kelley

    Kelley tinha prometido não fazer mais séries sobre advogados, mas o momento político e econômico americano o fez mudar de ideia. Ele simplesmente não podia ficar calado e sua vida o ensinou que a melhor forma de dar sua contribuição ao debate, é escrevendo séries jurídicas. Daí nasceu “Harry’s Law” (NBC), série que estreou essa semana nos Estados Unidos.

    Nela, Harriet Korn (Katy Bates), uma famosa e vitoriosa advogada de patentes, de uma hora para outra, percebe que seu trabalho não poderia ser mais chato e sem sentido. Acaba demitida do escritório do qual era uma das estrelas e, meio sem querer, vira advogada criminal trabalhando em um bairro pobre de Cincinnati (Ohio).

    Ter uma sessentona como protagonista não é lugar comum na televisão americana, muito pelo contrário, nem mesmo quando ela já ganhou um Oscar de melhor atriz, além de Globos de Ouro, um Tony e um SAG, tirando outras indicações. Katy Bates é tão boa, que o papel de Harry era para ser de um homem. Desnecessário dizer que ela literalmente roubou o papel ao fazer o teste. Ponto para Kelley e para os executivos da NBC pela escolha arriscada.

    Gostei do piloto que discutiu de forma indireta, mas muito contundente a descriminalização das drogas. Uma proposta nascida em um setor mais liberal do partido republicano e depois abraçada com paixão por democratas mais liberais. Outro ponto positivo é ter Nathan Corddry (“Studio 60 On The Sunset Strip”) no elenco. O cara é muito bom e mostra isso no episódio inaugural da série.

    Nathan Corddry

    A única coisa que eu realmente não gostei foi o escritório novo de Harriet também servir como loja de sapatos femininos. Sem estragar a surpresa para você, a ideia de alguém ir à falência e ser despejado, deixando no imóvel abandonado um estoque de sapatos femininos de grife, me soa completamente absurda. Isso sem falar no fato da loja ser em um bairro pobre. Não foi por acaso que o negócio do sujeito quebrou.

    De qualquer forma, “Harry’s Law” merece ser conferida. É mais uma boa série dessa forte leva de meia temporada, que veio compensar o fraco – na média – pacote de estreias da fall season.


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    January 17th, 2011Edu TeixeiraSéries

    Kathy Bates tem um Oscar na estante de casa

    David E. Kelley jurou que não faria outra série sobre advogados. Não depois de “L.A. Law”, “Ally McBeal”, “The Practice” (O Desafio) e “Boston Legal” (Justiça Sem Limites), mas a deu coceira no marido da Michelle Pfiffer e ele não resistiu.

    Hoje, estreia nos Estados Unidos, “Harry’s Law” (NBC).  Protagonizada pela vencedora do Oscar de melhor atriz, Kathy Bates (“Titanic”), a série é sobre uma advogada de marcas e patentes que vira advogada criminal. A escolha de Bates para o papel principal surpreendeu. Não por ela não ter talento para tal, mas uma atriz na casa dos 60 anos não é exatamente o sonho de consumo dos executivos de televisão, quando pensam em protagonistas para seus projetos em desenvolvimento. No caso de “Harry’s Law”, o currículo de Bates ajudou a acalmá-los e não houve resistência à sua escalação.

    David E. Kelley disse ao Pittsburgh Post-Gazette: “Nós não estamos nos iludindo. Sabemos que é um slot (dia e horário) difícil e não é uma série convencional. Temos uma protagonista de 60 anos de idade e isso é raríssimo. Não existem muitas redes de TV que me procuram e dizem ‘me arruma uma série com uma protagonista com 60 anos? ’ Tenho que acreditar que, em um universo de mais de 500 canais, exista espaço para uma ou duas series com foco em debate político”

    Foi justamente a vontade de escrever sobre questões da política americana que fizeram Kelley quebrar seu juramento. “Senti que a realidade econômica mudou tão dramaticamente que eu gostaria de ser uma voz em tempos de desespero. Me veio a ideia de tocar no tema da distribuição de renda desse país”.

    Nathan Corddry (“Studio 60 On The Sunset Strip”), Britanny Snow (“American Dreams”) e Aml Ameen (“The Bill”) também fazem parte do elenco da série.

    Como de hábito, vou esperar até ver o piloto para avaliá-la.

    Confira o trailer da série abaixo.

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