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  • “The River” é um festival de furos e sustos gratuitos

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    February 23rd, 2012Edu TeixeiraSéries
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    Tem séries que a quando anunciadas ficamos doidos para ver. Isso independe do nosso gênero de séries preferido. Eu, como fã de ficção científica, subo pelas paredes de ansiedade por novos produtos que desafiem minha imaginação. Achei a premissa de “The River” (ABC) interessantíssima, mas o resultado final foi para lá de decepcionante.

    A série criada por Oren Peli (Atividade Paranormal) e Michael R. Perry (“NYPD Blue”) e produzida por Steven Spielberg conta em forma de falso documentário a história de uma expedição de resgate no coração da Amazônia. Durante mais de 20 anos o Dr. Emmet Cole (Bruce Greenwood) viajou por todo mundo em busca de histórias para o programa “The Undiscovered Country”, uma espécie de reality show sobre fauna e flora. Contrariando vários hábitos em sua última aventura, o Dr. Cole não leva sua esposa (Leslie Hope), seu produtor Clark Quitely (Paul Blackthorne), nem tampouco o mecânico de fé Emilio Valenzuela (Daniel Zacapa). Com a equipe modificada ele embarca no Magus, seu estúdio em forma de barco, e ruma para um local não mapeado da Amazônia, desaparecendo sem deixar vestígios.

    Seis meses depois, já com as buscas oficiais suspensas, um sinal do transmissor de emergência do Dr. Emmet é captado. A rede de televisão – que exibiu por duas décadas o programa apresentado pelo cientista explorador – não pensa duas vezes e resolve financiar uma expedição de busca. “Só” pedem em troca o direito de documentar tudo, exibindo as filmagens da aventura como uma nova temporada de “Undiscovered Country”.

    Não assisti nenhum dos três filmes Atividade Paranormal, nem tanto por falta de interesse, mas de tempo. Sei que fizeram algum sucesso (tanto que foram três, com um quarto em produção) e que tinham o mesmo formato de falso documentário que “The River”. Digo isso para esclarecer que meus comentários sobre a série não estão contaminados de forma alguma pelos filmes dirigidos e/ou produzidos por Oren Peli.

    O que mais me incomoda em “The River” são os buracos na história. As peças não se encaixam em nenhum momento e isso dá uma forte sensação de enganação. A história do transmissor de segurança é uma forçada de barra desnecessária. Como a senhora Cole estava praticamente divorciada do marido aventureiro, como fazer ela se embrenhar no meio da floresta tropical em busca do sujeito? Um transmissor de emergência. Brilhante não é? Não. Forçado. Ela não precisava estar se divorciando para começo de conversa e a motivação seria o bom e velho amor. E precisa mais? E por que ele não levou a mulher nessa aventura? Por amor. Para protegê-la de perigos que ele sabia que enfrentaria. Muito mais bem amarrado, simples e honesto. Mas esse não é o pior dos furos. Depois de seis meses de buscas oficiais e de uma incursão independente bancada pela rede de TV que não dá em nada, surge de lugar algum a filha de um operador de câmeras desaparecido e apresenta uma nova pista Forçado, forçado, forçado demais.

    Outro problema sério é a falta de comprometimento da produção com o estilo escolhido. Se é para fazer um falso documentário, tem que fazer direito. Como bem disse um seguidor meu no Twitter (@the_tyger): “O que atrapalha são os elementos que não são próprios de mockumentaries: trilha sonora e cenas aéreas”. É exatamente isso. Ou é ou não é. Não dá para ficar no meio do caminho.

    Depois de “Lost”, parece que o medo das grandes redes de bancar séries com histórias continuadas foi amplificado. Elas sempre tiveram receio, mas agora a situação parece bem pior. Mesmo séries com total DNA de continuação são forçadas a conter histórias fechadas em cada episódio. Da temporada atual, além de “The River”, Alcatraz (Fox) sofre do mesmo problema.

    Por último, como fã de Steven Spielberg sou forçado a dizer que, aparentemente, ele não é na TV o gênio que é (ou foi) no cinema. Suas produções (quase todas) recentes para a telinha mostram uma preocupante tendência ao fracasso. “Falling Skies” (TNT) é razoável. Desperta interesse, mas o resultado é muito aquém do que se esperava. “Terra Nova” (Fox) é cara para diabos e fraca. Roteiros tipo queijo suíço capitaneados pelo assassino de séries Brannon Braga (também escolha de Spielberg) e por último “The River”, que até agora consegue ser a pior das três.

    Depois de quatro episódios, dois dos quais um piloto duplo, posso dizer sem medo de mudar de opinião que não gostei de “The River”. Os sustos  parecem ser o objetivo e não uma consequência natural de uma história de mistério e terror bem contada. Como sustentar isso em uma série de TV é para mim um mistério maior do que o sumiço do Dr. Emmet Cole.

     

    Audiência:

    • Episódio 01 (07/02/12) – 2.6 no demo (18-49 anos) e 8.35 milhões no total de espectadores. Terceiro lugar no horário.
    • Episódio 02 (07/02/12) – 2.3 no demo (18-49 anos) e 6.83 milhões no total de espectadores. Primeiro lugar no horário.
    • Episódio 03 (14/02/12) – 1.7 no demo (18-49 anos) e 6.28 milhões no total de espectadores. Quarto lugar no horário.
    • Episódio 04 (21/02/12) – 1.7 no demo (18-49 anos) e 4.8 milhões no total de espectadores. Números preliminares.

    Ficha Técnica

    Elenco:

    Bruce Greenwood (“The Core”) – Dr. Emmet Cole

    Joe Anderson (“The Gray”) – Lincoln Cole (O filho do Dr. Cole)

    Leslie Hope (“24”) – Tess Cole (A esposa do Dr. Cole e mão de Lincoln)

    Eloise Mumford (“Crash”) – Lena Landry (Filha do operador de camera desaparecido)

    Paul Blackthorne (“The Gates”) – Clark Quitely (O produtor)

    Thomas Kretschmann (“King Kong”) – Cap. Kurt Brynildson (Responsável pela segurança)

    Daniel Zacapa (“Resurrection Blvd.”) – Emilio Valenzuela (O mecânico do Magus)

    Shaun Parkes (“Human Traffic”) – A.J. Poulain (Operador de camera)

    Paulina Gaitan – Jahel Valenzuela (Filha de Emilio)

    Luisana Lopilato  – Policial

    Scott Michael Foster (“Californication”) – Jonas Beckett (O operador de câmera do Dr. Emmet Cole)

    Produção:

    Oren Peli (Atividade Paranormal)

    Jason Blum (Atividade Paranormal)

    Steven Schneider (Atividade Paranormal)

    Darryl Frank (“Terra Nova”)

    Justin Falvey (“Smash”)

    Zack Estrin (“Prison Break”)

    Michael Green (“Heroes”)

    Wendy Battles (“Law & Order”)

    Aron Eli Coleite (“Heroes”)

    Glen Morgan (“Bionic Woman”)

    Steven Spielberg

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  • Confesso que até gostei. Mas concordo que há furos e mais furos. Talvez por nunca ter sido um fã do gênero, acabei gostando. Pronto, se uma pessoa que nunca foi fã do gênero gosta da série, é pra se pensar realmente no que estão fazendo. 

    Mas eu li algo aqui que me fez refletir e muito. Com relação ao medo pós Lost. Edu, é a mais pura verdade. Tem muita série que sinto falta de uma história continuada, de um algo a mais. Tem outras tantas que nem mais a história “Paralela” a história do episódio tem mais. Isso me irrita muito. Mas acredito ser apenas uma questão de gosto… ou não…

    Abração.

  • edutsilva

    Pois é cara, o cenário que se desenha é preocupante. Abraço e volte sempre.