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  • A 1ª temporada de “Hell on Wheels” é imperdível

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    January 23rd, 2012Edu TeixeiraSéries

    Hell-on-Wheels-S01-PosterQuando li a premissa de “Hell on Wheels” fiquei interessado imediatamente. Um drama ambientado no fim do século XIX, logo após o fim da Guerra da Secessão era algo bastante inusitado. O fato de ter sido aprovado pelo AMC me deixou ainda mais animado. O índice de acerto do canal é fenomenal. “Mad Men”, “Breaking Bad” e “The Walking Dead” estão aí para provar que não estou exagerando. Antes da Temporada de Outono de lançamento de novas séries coloquei-a como a 6º lugar na lista das que eu mais ansiosamente aguardava.

    Li algumas críticas de gente que respeito e que tiveram acesso aos primeiros episódios antecipadamente e foi como se eu tivesse levado um balde de água gelada na cabeça.  Elas apostavam no primeiro grande fracasso do AMC. Como sou teimoso, não desisti de ver “Hell on Wheels”, porém resolvi ser muito mais cuidadoso na minha avaliação. Ao invés de dar minhas opiniões depois de dois episódios como de costume, veria a temporada inteira. Depois de ver cheguei a conclusão que esses críticos mais torciam pelo fracasso do que qualquer outra coisa. Uma torcida tola e injustificável.

    O soldado confederado Cullen Bohannon (Anson Mount) encontra terra arrasada ao voltar da guerra. Sua fazenda foi saqueada. Seu filho morreu queimado em um celeiro. Estava abraçado a uma ex-escrava. Logo ela que ajudou a criar Bohannon e agora fazia o mesmo com seu filho. Sua esposa foi enforcada após ser estuprada. Logo ele que lutou na Guerra Civil Americana somente por honra. Sequer acreditava na causa principal dela. Fortemente influenciado por sua mulher, ele libertou todos os escravos de sua fazenda de tabaco um ano antes da guerra eclodir. Naquele momento a vingança passou a seu único motivo para viver.

    Na busca pela justiça com as próprias mãos ele acaba em Hell on Wheels, um embrião de cidade que surge no entorno das obras de construção da primeira ferrovia transcontinental norte-americana. Localizada no oeste ainda selvagem americano, Hell On Wheels abriga de tudo um pouco: ex-escravos, prostitutas, imigrantes europeus, ex-soldados dos dois lados da guerra e um vilão interessantíssimo.

    Thomos ‘Doc’ Durant (Colm Meaney) é o empresário responsável pelo empreendimento grandioso de encurtar de meses para dias a viagem entre a costa leste para a costa oeste do continente. Como é de praxe até hoje, ele não hesita em se deitar na cama com políticos para obter financiamento e proteção. Ele não é um vilão comum. Não visa apenas o lucro a qualquer custo. Tem um real e legítimo interesse no progresso e na integração do país, mas entende que para isso é necessário que leis e regras de conduta ética sejam colocadas de lado. Ele assume o papel de vilão de bom grado por um bem maior.

    A produção é um primor. Cenários, figurino e fotografia são perfeitos. É cinema feito para televisão. Os roteiros são caprichados e muito bem amarrados. É nítido que houve um trabalho árduo de pesquisa. A construção das frases obedece a uma lógica diferente da dos dias de hoje. Às vezes falta um verbo, outras vezes um artigo. É inglês, mas inglês de 1860. O elenco é um capítulo a parte. Anson Mount (“Third Watch”) está irreconhecível por trás de uma espeça barba. Seu Bohannon é o anti-herói que vamos aos pouco gostando cada vez mais . Ele não sorri, fala pouco e devagar, mas de alguma forma é simpático e carismático. O rapper Common (O Procurado) faz Elam, um ex-escravo que desenvolve uma estranha relação de amizade com Bohannon.  Colm Meaney (“Star Trek: Deep Space 9”) está ótimo como sempre no papel de Durant. Impecável. Do elenco merecem destaque ainda Dominique McElligton (“On Home Ground”), Tom Noonan (“Damages”), Robin McLeavy (“All Saints”) e James D. Hopkin (“Heartland”).

    Como mistura fatos reais com ficção, a produção foi criticada por não incluir imigrantes chineses que trabalharam na construção da ferrovia transcontinental. Os criadores Joe e Tony Gayton (“Southern Confort”) planejavam incluir as duas linhas férreas (Union Pacific e Central Pacific) na história, mas por questões de orçamento e prazo, escolheram focar somente na construção da linha Union Pacific. Dessa forma, a omissão dos trabalhadores chineses é historicamente correta. Ainda há a chance da história se expandir, incluindo a linha Central Pacific, seus trabalhadores orientais e a corrida entre as duas linhas para ver qual era concluída primeiro.

    Em termos de audiência, 4.4 milhões (2.4 na faixa etária 18-49) de pessoas viram a estreia de “Hell on Wheels”. No AMC apenas para “The Walking Dead” teve início melhor. A audiência sofreu uma queda significativa no meio da temporada, mas reagiu bem, terminando em alta. A média final foi de 3 milhões de espectadores.

    Recomendo muito que você veja “Hell on Wheels”. Ela já foi renovada para a segunda temporada, mas ela só deve ir ao ar no fim do ano ou somente em 2013. Isso te dá bastante tempo para correr atrás da primeira leva. No piloto, destaque absoluto para a cena do ataque de índios a um acampamento de “caras pálidas”. Impressiona principalmente pelo realismo e pela movimentação de câmera.

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