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  • Kelsey Grammer dá show em “Boss”

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    November 28th, 2011Edu TeixeiraSéries

    boss-poster-starz111022171105Na mideseason passada eu escrevi um texto sobre “The Chicago Code”, um drama que acabava de estrear na Fox. A série focava no antro de corrupção que é a cidade de Chicago e tinha o mérito de conseguir um raro equilíbrio entre histórias isoladas e mitologia. Infelizmente a audiência não foi das melhores e a série acabou cancelada, mas felizmente Chicago e seus políticos meliantes permaneceram nas mentes de produtores e roteiristas de Hollywood.

    Uma criação de Farhad Safinia (“Apocalypto”), “Boss” (Starz) traz Kelsey Grammer no papel Tom Kane, o prefeito de Chicago. O ator que fez fama com a superestimada comédia “Frasier” entre 1993 e 2004 nunca se afastou totalmente da telinha, mas desde o fim do sucesso da NBC que ele não assumia o papel de protagonista de um seriado. Seu retorno não poderia ser mais categórico. Se sob ameaça eu tivesse que apontar somente uma qualidade de “Boss”, essa seria a atuação monstruosa do Sr. Grammer. As cenas com ele valem cada segundo.

    O piloto é dirigido pelo diretor Gus Van Sant, indicado ao Oscar por Gênio Indomável. O elenco ainda conta com Connie Nielsen (Gladiador), Kathleen Robertson (Barrados no Baile), Martin Donovan (“Weeds”), Jeff Hephner (Hellcats) e outros.

    A série começa com o poderoso prefeito de Chicago recebendo a devastadora notícia que sofre de uma doença incurável. O político implacável não só tem os dias de vida contados, mas também irá passar pelo inimaginavelmente doloroso processo de deterioração mental. Como já vimos em situações semelhantes em séries, filmes e até mesmo novelas da Globo, o esperado seria uma mudança de comportamento. O vilão normalmente é compelido a repensar sua vida e seus atos na procura desesperada por redenção e compaixão. Não esse cara. Ele até tenta se reaproximar da filha, mas esse é seu único ato “bonzinho” depois de desenganado. De resto ele ou fica na mesma ou piora. Se é que isso era possível.

    Se há uma coisa na série que me incomoda um pouco é que de alguma forma me sinto manipulado a simpatizar com o corrupto. Sem perceber passei a ver como vilão o jornalista idealista, que luta praticamente sozinho contra o mar de lamas na capital de Illinois. Quando o episódio termina e eu paro para pensar, me sinto culpado. O que me consola é saber que esse sentimento pode ser apenas fruto da minha imaginação e que no fim da série os corruptos, incluindo Tom Kane, vão pagar por seus crimes. Pena que quando penso nos políticos brasileiros essa esperança é trucidada, esquartejada, moída e o que sobre é jogado em um forno industrial.

    No fim das contas, se você gosta de dramas políticos com atuações de primeira, não perca “Boss”, uma das melhores novas séries da temporada 2011.

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