Comic-Con San Diego, Séries de TV e Cinema A cobertura da Comic-Con feita por um brasileiro para brasileiros e muito mais!
  • Guia Comic-Con para brasileiros interessados. Parte 2

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    August 4th, 2010Edu TeixeiraComic-Con

    Para quem não conhece bem como funciona a Comic-Con, tentarei dar uma geral. Vou pular algumas coisinhas básicas (passagem de avião, hotel, ingressos, credenciamento, carro/estacionamento ou transporte público), pois acho que isso pode ficar para o final. Se depois de ler sobre o evento em si e sobre a cidade, você se animar, ai sim vale a pena ler a parte mais chata.

    O “Floor”

    O grande salão de exibição é a união dos salões de A até G, no térreo do Centro de Convenções de San Diego, e é onde os “stands” são montados. Ali se encontra desde stands enormes de gigantes como DC Comics, Marvel, Sony (demonstrando seu novo controle para o Playstation 3) e Mattel, até pequenos stands de editoras independentes, lojas de camisetas, e outros pequenos comércios. São quase 4500 stands distribuídos em uma área de mais de 42.000 m2. Se você curte bonecos, jogos de tabuleiro (os “board games”), jogos eletrônicos, RPG, quadrinhos e memorabilia em geral, prepare seu bolso. A poupança já pode começar hoje.  E ainda têm os brindes. Nem sempre é fácil pega-los e às vezes rolam longas filas, e em outras, um certo tumulto, pois as pessoas começam a se concentrar em volta do “stand” que anunciou a distribuição de determinado brinde. Evite ir ao “floor” da noite de sexta-feira ao fim do sábado. É bastante desconfortável caminhar em meio a uma multidão, que ainda carrega bolsas. Se seu foco for o “Floor”, aconselho ir na “preview night”, logo após pegar seu crachá (mais tarde falo mais sobre ele), ou no primeiro dia (quinta-feira), caso você procure itens raros, exclusivos da Con, etc. Se você acha que é uma boa idéia, deixar para ir ao “Floor” no último dia, na esperança de uma “xepa”, ou seja, de uma liquidação de fim de festa, perca as esperanças. A grande maioria dos comerciantes que ali estão, possuem lojas físicas ou virtuais e não se importam em não vender tudo que levaram à Con. Simplesmente empacotam o que sobrou, e levam de volta.

    Floor
    “Floor” ou Salão Principal

    Os Painéis

    Os painéis nada mais são do que um “showcase” de um filme, série ou veículo de comunicação. Eles duram normalmente entre quarenta e cinco minutos e uma hora, com alguns poucos ultrapassando esse limite. Tem de tudo. Desde painéis de grandes filmes-pipoca-arrasa-quarteirão, que serão lançados no próximo verão norte-americano, passando por séries já consagradas ou em vias de estrear, indo até painéis dedicados a séries  já canceladas há muitos e muitos anos. Esse ano, houve um painel dedicado a Quantum Leap (Contra-Tempos no Brasil), ótima série estrelada por Scott Bakula e Dean Stockwell que durou 5 temporadas entre 1989 e 1993.  S. Bakula achou um tempinho para prestigiar. Existem também painéis “patrocinados” por um canal de televisão (Showtime), ou publicação especializada (Entertainment Weekly).  O grande barato da Comic-Con é que os grandes astros e estrelas em geral não esnobam o evento e fazem questão de aparecer por lá. Obviamente há exceções, mas se até Harrisson “Han Solo” Ford se rendeu e compareceu pela primeira vez esse ano, como não acreditar no prestígio do evento?

    Os painéis são realizados em várias salas simultaneamente, mas os mais importantes e conseqüentemente, mais concorridos, são concentrados nos dois grandes salões. O H com capacidade para 6.000 pessoas sentadas (cinema) e o 20 para 4.250 (televisão). Enquanto o salão H fica no térreo, ao lado do “Floor”, o salão de festas (ballroom) 20 fica no andar superior do centro de convenções. Andar por lá é bem tranquilo. A sinalização é farta e os voluntários e seguranças estão sempre dispostos a ajudar.

    As filas e como planejar seus dias na Con

    O evento é extremamente bem organizado. As filas são longas, mas andam e são respeitadas. Eles fazer o possível para que sejam sempre à sombra, mesmo que para isso tenham que colocar tendas móveis, e elas abundam no local.

    Planejei cuidadosamente os painéis que gostaria de assistir, e sabia das filas. Só que eu não tinha a noção exata do quão grande elas realmente eram. Esse foi o primeiro erro de planejamento que identifiquei com facilidade. No primeiro dia eu já constatei que é preciso fazer escolhas. Algumas muito difíceis. Dê preferência para o salão onde acontecerá o painel que você mais quer ver no dia, ou então dê pesos aos painéis e opte pelo salão que obtenha a maior soma final. Enfim, arrume um critério para escolher o grande salão que você quer passar o dia. Assim, você pegará uma fila por dia, assistirá vários painéis legais, incluindo alguns que você considera prioritários. Não dá para fazer omelete sem quebrar ovos, e alguns painéis serão deixados de lado. É a vida. Não dá para se ter tudo.

    Vale dizer que “passar o dia no salão” não significa mofar lá dentro, não ir ao banheiro, não poder pegar autógrafos/tirar fotos com ídolos do passado, e não comer. Existe um esquema bastante justo de saída e retorno dentro do mesmo painel. O início oficial de um painel se dá quando o anterior termina. Sendo assim, você é livre para sair e voltar do salão, quantas vezes quiser entre o término de um painel e o fim do painel seguinte. Basta sair pela porta de entrada e pegar o tíquete de retorno. Tudo muito bem pensado e organizado. Embora o serviço de som diga que é proibido guardar lugar, na prática isso é a coisa mais comum por lá. Eu estava sozinho e recorri a estranhos para não perder meus lugares. Funcionou sempre.

    Por serem enormes, os salões H e 20 recorrem ao uso de telões para ajudar aos que ficam distantes do palco. Pessoalmente, acho que ficar olhando o telão o tempo todo tira muito da graça de estar lá, ao vivo. Por isso, quando não tive entrevistas coletivas no início da manhã, optei por chegar à fila por volta das 5:30 da madrugada. Isso me garantiu acesso já ao primeiro painel do dia no salão escolhido, além de um lugar bem razoável. Nada espetacular. Para lugares espetaculares, só mesmo sendo deficiente físico – e longe de mim, dar a idéia de alguém fingir uma deficiência para aproveitar da regalia de assentos reservados lá na frente – ou chegando bem mais cedo do que eu. Quanto mais cedo, melhor o lugar. A galera que pega os melhores, leva colchão inflável, saco de dormir, cobertor, jogos para passar tempo e acampa desde a noite anterior.

    Galera acampada para o salão H

    Na parte anterior prometi mais do que eu consegui cumprir. Vou deixar para falar sobre San Diego na próxima parte.

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