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  • Comic-Con 2011: O painel de “Terra Nova”

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    August 22nd, 2011Edu TeixeiraComic-Con, Séries

    Stephen Lang

    O painel de “Terra Nova” na Comic-Con 2011 foi iniciado com uma surpresa. Sem qualquer aviso prévio, o piloto da nova produção de Steven Spielberg começou a ser exibido nos telões. O sentimento geral no Ballroom 20 quando a exibição começou era que veríamos os primeiros minutos – 15 no máximo – e depois os produtores Jose Molina (“Castle”), Brannon Braga (“Flash Forward”), Rene Echevarria (“The 4400”), o supervisor de efeitos especiais Kevin Blank e ator Stephan Lang (Avatar) entrariam para que o painel propriamente dito começasse. Felizmente estávamos errados e a primeira parte piloto foi exibida por inteiro (45 minutos). Antes de entrar no que foi dito pelos participantes do painel, vou dar minha opinião sobre o que assisti.

    Para começo de conversa a produção é impecável. O moribundo mundo de 2149 é claustrofóbico, escuro, extremamente poluído e sem qualquer recurso natural. Uma fruta, qualquer uma, é mais rara que um diamante hoje em dia. A saída encontrada é recomeçar. É voltar no tempo e colonizar a Terra novamente. Dessa vez sem cometer os inúmeros erros da primeira vez. Os detalhes não são explicados no piloto, mas de alguma forma uma passagem no tempo é aberta (ou descoberta) e o outro lado desse “túnel do tempo” fica 85 milhões de anos no passado. Em uma Terra “jovem”, linda, exuberante e repleta de dinossauros, afinal, eles eram a espécie dominante então. Efeitos nota 10. De cair o queixo.

    Rene Echeverria

    Outra surpresa é a quantidade e qualidade dos furos na trama. Vou tentar evitar ao máximo spoilers, tentando falar apenas o que é conhecimento comum na internet, mas pode ser que eu passe desse limite. Se você for completamente avesso a spoilers, pare de ler aqui.

    No futuro, a “família são quatro”. Explicando melhor, cada família só pode ter dois filhos. E isso foi a primeira coisa que não entendi. Não seria mais sensato ser apenas três, ou somente um filho? Afinal não há mais comida, o ar está praticamente irrespirável e o mundo está literalmente acabando. Outra coisa que me incomodou bastante foi o grupo terrorista que perturba a vida dos colonos do parque dos dinossauros. Dou um desconto aqui por não saber praticamente nada sobre a origem do grupo, mas logo de cara a ideia dos “Sixers” me soou como completamente estapafúrdia. Posso e espero estar errado. Por fim, o que mais gostaria de saber é como os colonos pretendem sobreviver ao cataclismo (meteoro?) que varreu os dinossauros da face de nosso planeta, jogando-o em um longo período glacial. Por tudo que li, a resposta dos produtores para essa pergunta é sempre a mesma: alguma tecnologia do futuro. Não sei quanto a você, mas esse tipo de resposta não desce.

    Críticas à parte, a série tem produção executiva do Spielberg e isso – somente isso – já bastaria para eu querer muito que ela vingue. Tomara que minhas dúvidas e críticas sejam explicadas de forma criativa e satisfatória. Adoraria estar completamente errado e ter uma série de ficção científica de qualidade para ver durante alguns anos.

    Brannon Braga

    Então vamos ao que aconteceu nos quinze minutos restantes de painel depois da exibição do piloto:

    • Echeverria: “Os Sixers são nossos vilões. Eles têm uma agenda diferente da de Taylos (Stephen Lang). Isso é tudo que diremos agora”.
    • Echeverria: “O Kevin criou algumas tecnologias que nunca foram usadas antes”.
    • Blank: “É um desafio criar dinossauros na velocidade que a televisão pede. Estamos aprendendo como fazer com o passar do tempo e acredito que só ficará melhor”.
    • Molina: “É um show sobre dinossauros. Não será algo do tipo que se mostra os dinossauros no piloto e depois fazemos de conta que eles não existem. Eles aparecerão muito e serão muito maus”.
    • Fã pergunta se Taylor não teria também (como os Sixers) outra motivação para estar ali. Lang: “Estamos sugerindo um futuro e um passado cheios de mistérios. Muitas questões para serem respondidas. O Taylor é uma figura enigmática. Isso é intencional, na esperança de criar interesse. O desafio aqui é criar um evento semanal dramático que seja forte o suficiente e se resolva e ao mesmo tempo criar e desenvolver um arco de mitologia”. Molina se referindo a Lang diz: “Como não confiar nesse rosto?”. Quem viu Avatar sabe bem a resposta.
    • Uma fã pergunta quais shows do passado influenciaram a história de Terra Nova. Echeverria: “Meu primeiro emprego como escritor foi em Star Trek: A Nova Geração. Foi onde conheci Brannon (Braga) e isso aqui é uma espécie de reunião profissional para a gente. Esse é um show que Gene Rodenberry teria gostado”. Ele se refere ao criador de Jornada nas Estrelas. Nem preciso dizer que os nerds presentes, incluindo eu aplaudiram a homenagem ao mestre. Braga: “Essa não é somente uma aventura humanista, corajosa e perigosa, mas também é sobre chances para recomeçar, explorando a nova esperança da humanidade e também a bagagem que esta carrega e isso vale também para Jornada nas Estrelas”.

      Jose Molina

    • Fã pergunta para Lang o quão difícil é atuar quando se tem tantos efeitos gerados por computador (CGI) já que ele também fez Avatar. Lang: “Requer foco, imaginação e muita orientação específica do diretor. Ajuda muito quando se tem confiança na capacidade, experiência e criatividade do time de efeitos especiais”.
    • Lang: “Gostaria de aproveitar a chance para dar ar lembranças enviadas pelo Jason O’Mara que não pôde estar aqui e ele está fantástico no piloto. Ele realmente é o líder do elenco e manda um oi para todos e espera vir à muitas Comic-Cons no futuro”.
    • Fã pergunta se veremos mais do futuro. Eu (Eduardo) espero que sim. Echeverria: “Sim, parte da  nossa história se passa lá, conforme as coisas vão piorando e isso cria uma pressão na colônia e no Taylor. Veremos como a agenda dos Sixers se relaciona com o que está acontecendo no futuro. A primeira leva de episódios é sobre a família Shanon e como eles se adaptam a essa nova vida”.
    • Fã diz que em muitos filmes sobre dinossauros, pessoas sobrevivem quando não deveriam e depois pergunta: “Veremos muitas pessoas sendo comidas por dinossauros?”. Lang: “Você deve perguntar ao cara do caminhão”. Ele se refere a uma cena do piloto que um dos Sixers é comido por um dinossauro. Molina: “Algo que vocês podem não ter notado, mas todos os nossos dinossauros são herbívoros, então…não…estou brincando….È claro que gostamos de matar pessoas. Vocês verão muita ação com dinossauros”.]
    • Lang: “Considerando a reação ao cara do caminhão sendo comigo, acho que Fox exigirá que tenhamos um cara comido toda semana”. Todos aplaudem.
    • Fã pergunta onde Terra Nova é filmada. Echeverria: “Queensland, Australia”.

      Kevin Blank

    • Fã: “Veremos mais famílias transferidas para o passado?”. Braga: “Sim, essa é uma migração em andamento. Primeiramente vocês verão um ponto de vista, mas depois vocês verão outros peregrinos vindo ao longo da série”.
    • Última pergunta
    • Fã pergunta sobre a óbvia influência de O Parque dos Dinossauros e se ela era inevitável. Echeverria: “É claro que é difícil seguir os passos dos filmes e ter o Steven Spielberg envolvido exige que a gente faça coisas inovadoras e ele nos apresentou ao seu consultor de paleontologia Jack Warner, que vem trabalhando de perto com o Kevin nos projetos das criaturas. Na segunda parte do piloto, vocês verão alguns dinossauros que estão mais na linha do que a paleontologia moderna pensa. Eles são mais relacionados com pássaros”.
    • A estreia da série será no dia 26 de Setembro (nos EUA). Ass duas partes do piloto serão exibidas juntas.

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