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  • Comic-Con 2011: O painel de “The Walking Dead”

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    August 13th, 2011Edu TeixeiraComic-Con, Séries

    O AMC usou Frank Darabont para promover a série e depois o demitiram

    Como “Torchwood: Miracle Day” está fora do escopo definido para o blog, por ser uma série inglesa (importada para os EUA), o segundo dia da Comic-Com 2011 (22/07) começou para mim com o painel de “The Walking Dead”, em minha opinião, a segunda melhor estreia de 2010. Perde apenas para “Boardwalk Empire”.

    Como estou escrevendo essa introdução já no Brasil, bem depois dos fatos ocorridos no painel que descreverei mais em baixo, não posso deixar de comentar a inesperada demissão do showrunner da série, o roteirista, cineasta e produtor Frank Darabont. O site The Hollywood Reporter noticiou que poucos dias depois de participar do painel de “The Walking Dead” em San Diego, Darabont foi sumariamente demitido pelo AMC. Os motivos (nunca é uma coisa só) ainda não são conhecidos, mas por tudo que li nos últimos dias, o AMC aparentemente não tem sabido lidar com todo o sucesso que conseguiu nos últimos anos ao ingressar no campo das séries originais.

    Primeiro, arrumou confusão com Matthew Weiner, o criador da multipremiada “Mad Men”, simplesmente o maior sucesso de crítica da emissora. Depois, foi a vez de se estranharem com Vince Gilligan, o showruuner de outro sucesso de crítica, “Breaking Bad”. Agora, se resolveram se arriscar ao máximo, criando confusão com seu grande sucesso comercial. O grande problema para os fãs de “The Walking Dead” é que ao contrário das outras séries citadas, o AMC é dono de 100% dos direitos da série. Se o bolo desandar de vez, já era. Nem a opção de mudar para outra emissora existe.

    Darabont veio do cinema (Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre) e trouxe esse olhar para “The Walking Dead”. Não tenho dúvidas que isso fez toda a diferença no resultado final. Com toda certeza, lutou muito contra o corte no orçamento imposto pelo AMC. Ao invés de ter US$ 3.4 milhões por episódio como na 1ª, a série terá “apenas” US$ 2.75 milhões na 2ª. Isso, para uma série com maquiagem de primeira qualidade e muitas cenas externas, pode significar uma grande queda na qualidade da produção. No fim das contas Darabont – como a maioria dos showrunners de ponta – não deve ter um ego pequeno nem tampouco uma personalidade das mais fáceis de lidar, mas não pode ter sua competência questionada.

    Segundo a reportagem do THR, elenco e equipe técnica ficaram chocados com a notícia. O elenco estaria sendo literalmente aterrorizado para manter silêncio sobre a demissão. Sabe como é né? Em uma série de zumbis, nada mais fácil que matar um personagem. Todos têm medo de perder o emprego de uma hora para a outra.

    Agora, só nos resta torcer para que a poeira baixe e que Glen Mazzara (“The Shield”), o novo chefão, consiga fazer um bom trabalho. No mínimo, que ele rechace duas ideias estapafúrdias dadas pelo AMC para cotar custos: Dos oito dias de filmagem para cada piloto, filmar quatro em ambientes fechados e não mostrar tanto zumbis em cena. Os personagens apenas os ouviriam. Se fizerem isso, será o fim da série.

    Nocotero, Kirkman, Hurd e Darabont

    Bem, mas voltando ao que interessa nesse post, o painel de “The Walking Dead” aconteceu no Ballroom 20 e teve presença maciça do elenco. Na mesa estavam: Andrew Lincoln (Rick Grimes), Jon Bernthal (Shane Walsh), Sarah Wayne Callies (Lori Grimes), Laurie Holden (Andrea), Norman Reedus (Daryl Dixon), Steven Yeun (Glenn) e Jeffrey DeMunn (Dale Horvath). Também presentes estavam o criador da série e showrunner até então Frank Darabont, a produtora Gale Anne Hurd , o autor das revistas em quadrinhos e produtor Robert Kirkman e o maquiador e consultor de produção Greg Nicotero.

    Seguem minhas anotações do que aconteceu no painel. No início, nenhum ator estava na mesa. Somente produtores:

    • Kirkman: “Foi um processo relativamente rápido depois que o AMC veio a bordo. Temos que reconhecer a visão deles”.
    • Kirkman: “A ideia do show é que pessoas são comidas e despedaçadas. Isso não são coisas que vemos na TV diariamente”.
    • Darabont: “Eu imediatamente pensei em fazer uma série de TV. Eu li a primeira revista em quadrinho e disse: AH!”.
    • Moderador: “A caracterização dos zumbis na série é diferente de tudo que já vimos na TV ou em filmes, como vocês conseguiram isso?”. Nicotero: “Eu tenho pedigree com um monte de projetos de zumbi e usamos muita coisa das artes dos quadrinhos. Todos os personagens têm próteses e lentes de contato. A gente contrata cada um pessoalmente e eles passam por uma escola de zumbis em Atlanta”.
    • Kirkman: “As expectativas depois da 1ª temporada criam certa pressão. Antes, ninguém tinha muita noção do que esperar. Isso (a pressão) faz com que todos trabalhem ainda mais duro…nos deu poder para tentar com mais vontade, saber que existe uma horda de fãs que amam o show nos eu força para tentar coisas maiores”.
    • Darabont: “Não começamos a planejar a 2ª temporada imediatamente (após o fim da 1ª). Meu cérebro precisava de um tempo. Estamos lendo as revistas em quadrinho que são a 2ª temporada”.
    • Antes da entrada dos atores, um sensacional trailer da 2ª temporada foi exibido. Eu publiquei esse trailer no blog no mesmo dia, mas para quem ainda não viu, aqui vai novamente.

    • Todos as atores são convidados para o palco.
    • Andrew Lincoln tem um forte sotaque britânico. É incrível como ele e outros atores conseguem esconder seu sotaque natural na frente das câmeras. A australiana Yvonne Strahovskide “Chuck” é outro bom exemplo.

      Andrew Lincoln

    • Lincoln: “Meu teste para o papel foi com o cachorro de Frank (Darabont) na garagem dele”.
    • Callies: “Se trabalha tanto em um fracasso como em um sucesso. Eu estava muito preocupada em dar azar, pois eu amo tanto essa série. È difícil exagerar ao dizer o quanto eu a amo. A gente pensou, bem, tivemos apena seis episódios, mas agora que teremos a 2ª temporada, podemos REALMENTE assustar vocês”.
    • O elenco só recebe os roteiros uma ou duas semanas antes de começarem a filmar os episódios.
    • Bernthal: “Os fãs de TWD são os melhores do mundo. São os mais inteligentes e os mais malvados e a gente quer ‘alimentar’ vocês. Vocês fazem tanto por nós.”
    • Holden: “A primeira temporada foi um desafio com a morte de Amy (irmã). Não houve tempo de recuperação. A personagem foi exigida ao máximo…os textos são soberbos. Todo roteiro é de ouro. Se você é fã das revistas, vai amar a próxima temporada”.
    • DeMunn é um dos favoritos do público. Ele diz: “Todo mundo o quer (Dale) como pai”.
    • DeMunn: “Os produtores disseram ‘Jeff, você gostaria de vir para Atlanta e matar zumbis? ’. Eu topei”.
    • Yeaun: “Eu fui um desses casos de sortudos que acabam de se mudar para Los Angeles e se dão bem. Sei lá, as estrelas se alinharam”.

      Steven Yeun e Jeffrey Demunn

    • Yeaun: “Você acorda, checa se não tem carrapatos, vai trabalhar, dá duro, sua e quando volta para casa procura por carrapatos novamente”. Aparentemente ele achou carrapatos em uma área muito sensível. NOSSA! Nem quero imaginar!
    • Norman Reedus é outro ator muito popular com os fãs no salão.
    • Reedus: “Fazer um caipirão é a coisa mais maneira de todos os tempos”.
    • Reedus: “Comprei uma pick-up na Geórgia, uma pick-up bem caipira e os caminhoneiros caipiras com cara de malvados ficavam acenando para mim”.
    • Reedus: “Estou começando a amar a Geórgia. Cara, eu ando com uma besta (arma de flechas) e atiro na cabeça de zumbis. Eu amo isso”.
    • Moderador: “O que você faria em um apocalipse de zumbis?”. Kirkman: “Eu me mataria, mas não leve isso muito a sério, pois venho escrevendo esse tipo de coisa por tanto tempo que não consigo mesmo ver uma forma de vencer. Eu pularia de uma ponte…mas eu não me importaria de virar um zumbi”. Tem como ser mais contraditório? Acho que não.
    • A 2ª temporada será maior (13 episódios), estreia nos EUA dia 16/10 e começa exatamente onde a 1ª acabou. “Nada dessa M%$#& de 6 meses depois” disse Darabont.
    • Começam as perguntas dos fãs. Espero que dessa vez sejam melhores. Ontem as do painel de “Dexter” foram de doer.

      Larie Holden

    • Fã pergunta se Kirkman participou da escolha do elenco: “Sim, mas ainda bem que eu não tenho a palavra final. Eu escalaria somente pessoas que eu gostaria de conviver. Contrataria o Ed O’Neil (“Modern Family) ou o John Stamos”.
    • Fã pergunta sobre o uso de dublês: Lincoln: “Eu faço a maioria das cenas de ação, com exceção da que eu caio com o cavalo e as que eu dirijo. Aprendi a dirigir há apenas quatro anos”. Surpresa geral com a revelação.
    • Fã pergunta para Reedus o que foi mais estranho, fazer TWD ou o clipe da Lady Gaga. Reedus: “TWD é muito mais estranho e muito melhor. Eu amo a Gaga”.
    • Nicotero: “Já fiz 800 filmes e esse é de longe o melhor projeto”. O maquiador diz que se não tivesse trabalhando na série, estaria com certeza aqui no BR20 como fã, pois a série é tudo que ama.
    • O Carl (filho de Rick) terá um papel maior na série na próxima temporada. Todos na mesa se derramam em elogios ao trabalho do jovem ator Chandler Riggs. Callis: “Ele vai surpreender todo mundo nessa temporada. Infelizmente isso é tudo que posso contar”.

      Norman Reedus

    • Fã pergunta se o sangue cenográfico tem gosto ruim. Nocotero: “O sangue em si é uma mistura de xarope de milho e corante de alimentos e não tem gosto ruim, mas o corante que usamos para deixar as bocas dos zumbis pretas é HORRIVEL! Reduzimos o tempo de maquiagem para uma hora e meia para aqueles heróis (os figurantes)”.
    • A produtora Gale Anne Hurd revela que era um dos zumbis no season finale.
    • Fã: “Eu estava pensando em como você concilia seu trabalho de teatro e matar zumbis”. DeMunn: “As duas disciplinas se retroalimentam. Fazer teatro ajuda a memória. Não tenho problemas em gravar os textos, mas eu não faço ideia em como A Morte do Caixeiro Viajante me ajuda a matar zumbis”.
    • O trailer da próxima temporada é exibido novamente enquanto os participantes deixam o palco. Fim de painel.

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