Comic-Con San Diego, Séries de TV e Cinema A cobertura da Comic-Con feita por um brasileiro para brasileiros e muito mais!
  • scissors
    March 19th, 2012Edu TeixeiraSéries

     

    Clique para ampliar

    Clique para ampliar

    Quando “Glee” estreou, demorei a ter curiosidade suficiente para ver o piloto. A premissa da série me soava adolescente demais. Encorajado por alguns amigos, baixei os primeiros oito episódios e os assisti todos no mesmo fim de semana. A série tinha um frescor, uma originalidade que eu adorei. Infelizmente, o grande sucesso comercial da série causou um efeito indesejado, que a levou ladeira abaixo: a história virou carona das músicas. Vendê-las no iTunes passou a ser mais importante que escrever roteiros que não sejam soníferos. Ainda assisto a série queridinha da Fox, mas cada vez gostando menos e vendo mais defeitos.

    No fim das contas, por pior que “Glee” fique, o fato de ter despertado o interesse do público de séries por musicais já valeu. Fez história. Se “Smash” (NBC) está no ar hoje, é por que “Glee” abriu o caminho. Não por acaso, mais de um crítico disse que “Smash”é um “Glee” para adultos.

    A série segue um grupo que pretende montar um musical sobre Marilyn Monroe na Broadway. Mesmo depois que outros grupos naufragaram terrivelmente em empreitadas similares.

    O primeiro episódio de “Smash”, mais uma tentativa de Steven Spielberg (Produtor Executivo) de emplacar um grande sucesso na TV, é simplesmente um dos melhores pilotos dos últimos anos. De tirar o fôlego. No final, deu até vontade de levantar do sofá e aplaudir. Como se eu tivesse acabado de assistir um ótimo musical na Broadway. As músicas são ótimas, as interpretações vibrantes e as coreografias empolgam até um cintura dura como eu. Não seria surpresa se, num futuro próximo, o musical Marilyn Monroe realmente for montado em um teatro de Nova York.

    Debra Messing (“Will & Grace ”) está ótima como Julia Huston, a metade letrista de uma dupla de experientes e bem sucedidos compositores. Seu parceiro e melhor amigo, Tom Levitt, é igualmente bem interpretado por Christian Borle (Caçador de Recompensas).  A veterana Angelica Houston (A Família Addams) está impagável como a produtora trocada pelo marido por uma mulher bem mais nova. Megan Hilty canta muito e faz uma Ivy Lynn talentosa e insegura na medida certa. Também merece destaque o competente Jack Devenport (“Flash Forward”) no papel de Derek Wills, um improvável diretor e coreógrafo heterossexual e garanhão. Escrevo isso sem qualquer preconceito.

    Por fim, a melhor surpresa no elenco. Quem viu Katharine McPhee em “American Idol” (eu não vi, pois abomino reality shows) disse que ela cantava muito. E realmente ela canta maravilhosamente. O que ninguém sabia era que ela também sabia atuar. Ela defende com competência o papel de Karen Cartwright, uma jovem garçonete que sonha em ser uma estrela de musicais.

    Depois de seis episódios, sou obrigado a admitir que o piloto foi de longe o melhor deles. Gostei de todos, mas um defeito da série que passou despercebido a estreia veio à superfície e, embora não seja grave o suficiente para me fazer desistir da série, ele precisa ser abordado.

    A escalação do novato Emory Cohen como Leo Huston, filho de Julia (Messing) é de deixar jovens atores de talento furiosos. O garoto é um péssimo ator e quase consegue estragar todas as cenas que aparece. Mas o problema não é só ele. O personagem também não ajuda. Soa pouco verossímil um adolescente ser tão favorável à ideia de seus pais adotarem uma criança. Essa parte da história me pareceu forçada desde o piloto.

    Já o personagem Ellis Tancharoen, interpretado pelo estreante Jaime Cepero é de dar ataque cardíaco em monge budista. Toda vez que o assistente pessoal de Tom Levitt (Borle) aparece em cena, dá vontade de enfiar a mão na tela, arrancar o cara de lá e esganá-lo. Sério. Mas isso eu não posso nem dizer que é um defeito. Provavelmente, o personagem é escrito dessa forma e se assim for, os roteiristas merecem elogios. Conseguiram criar um sujeito realmente detestável.

    A estreia de “Smash” deu a NBC a primeira vitória na audiência no slot (segunda-feira às 10 da noite) depois de muitos anos (sem contar com a transmissão das Olimpíadas de 2008). A outrora líder do horário nobre norte-americano precisava de um sucesso que mostrasse que o barco está sendo apontado para o rumo certo. Pelo menos criativamente. Os 11.4 milhões de espectadores (com 3,4 na faixa etária de 18-49 anos) obtidos em 6 de Fevereiro foi a melhor marca da série até agora. O sexto e último episódio exibido obteve o menos animador total de 7.9 milhões de espectadores, com 2,4 no demo.

    Em resumo, a série é feita sob medida para quem curte musicais, mas pode irritar quem não gosta. Como faço parte do primeiro grupo, sou fã de “Smash” e recomendo a todos que, no mínimo, vejam o piloto. Depois comentem!

    Posts Relacionados:

    Tags: , ,